O Marítimo chegou ao intervalo em vantagem, mas o Chaves deu a volta na segunda-parte.

No dia das 7 Senhoras, acrescente-se outra romaria ao calendário deste 15 de Agosto: a subida ao Caldeirão. No regresso a casa e em jogo a contar para segunda jornada da Liga Bwin, o Marítimo apresentou-se com uma alteração em relação ao duelo no Dragão, entrando Fábio China para a lateral esquerda. Antes do apito inicial, o Capitão Edgar Costa recebeu a Taça do Torneio Insular, competição organizada pela Associação de Futebol da Madeira. Depois, minuto de silêncio em memória de um dos melhores jogadores portugueses de sempre, Fernando Chalana. Arrepiante a solenidade do momento, com um acaso que agudizou a Beleza da homenagem: uma pomba branca sobrevoou todo o relvado.

A bola começou a rolar – num exemplar novo tapete verde do Caldeirão – pelos pés de Joel. Logo na primeira jogada, o Caldeirão susteve a respiração. Lançamento na profundidade do central flaviense a isolar João Correia que, perante a saída de Miguel Silva, cabeceou ao lado. Alerta amarelo. Respondeu de imediato o Maior das Ilhas. Xadas conquistou espaço no meio-campo contrário e testou o tiro, mas sem perigo para o guardião do Chaves. O Marítimo assumia as rédeas e esteve perto do golo aos 6 minutos. Boa circulação de bola, com o esférico a chegar a Xadas, no flanco direito. O esquerdino esgueirou-se ao opositor, cruzou e encontrou Joel. O camaronês trabalhou bem, rodou e atirou com selo de golo, mas o central adversário foi lesto no auxílio ao guarda-redes Paulo Vítor.

O Chaves, de volta à elite do futebol português, ripostou com dois remates de longe, ambos sem grande perigo. No entanto, a equipa visitante ia conquistando pontapés de canto, 3 nos primeiros 15 minutos. Os visitantes estiverem, de novo, perto do golo à passagem do minuto 16. Valeu a destemida intervenção de Miguel Silva, numa mancha perfeita perante Hector. Novo aviso para o último reduto verde-rubro. E Miguel Silva voltou a redimir o Marítimo aos 17 minutos. Livre executado na direita, a bola sobrevoou toda a área e encontro, ao segundo poste, um jogador flaviense. O tiro saiu forte, mas Miguel Silva agigantou-se. Depois foi a vez de Beltame pegar na batuta. O maestro italiano driblou três adversários, contornou o guarda-redes e, já com pouco ângulo, tentou a felicidade que merecia. No entanto, aparece o corte providencial para canto. Empolgou-se o Marítimo, entusiasmou-se o Caldeirão. Na jogada seguinte, brilhante passe a isolar Vidigal. Mais rápido do que os defensores, o extremo isolou-se, entrou na área e tentou desviar-se de Paulo Vítor, a caminho de uma baliza deserta. Excelente a intervenção do guardião flaviense, ousado aos pés do 7 maritimista. O Chaves não se intimidou e João Correia voltou a atemorizar. Bom trabalho perante China, antes de um remate rasteiro que rasou o poste esquerdo de Miguel Silva.

O Chaves voltou a ameaçar a baliza verde-rubra após uma intercepção na saída do Marítimo. Miguel Silva evitou males maiores e rechaçou para canto, depois de um remate à queima-roupa. Não marcou o Chaves, fervilhou o Caldeirão. Aos 38 minutos, Winck superou o lateral contrário e ofereceu a Joel. “O cruel” do bolso as chaves da felicidade e fez o que melhor sabe ao esticar as redes flavienses. Festa rija no Caldeirão.

Ricardo Baixinho, o árbitro da partida, concedeu 7 minutos de tempo-extra, depois de um primeira-parte com algumas incidências que obrigaram à intervenção das equipas médicas. Tempo para o Chaves testar a meia-distância, sem perigo para as redes de Miguel Silva. Quando a legião maritimista já manifestava exasperação pelo tempo decorrido, Ricardo Baixinho conseguiu ver uma uma falta capital de Vidigal sobre João Correia. No limite, Vidigal toca no adversário depois de desviar o esférico. Assim não entendeu Ricardo Baixinho. Sem aparente intervenção do VAR, grande penalidade para o Chaves. Na conversão, João Teixeira atirou ao lado, com Miguel Silva a adivinhar a direcção do remate. Alívio e erupção de alegria entre as hostes verde-rubras, com Miguel Silva particularmente efusivo e muito saudado pelos companheiros. Logo depois, soou o apito para o descanso. O Marítimo mantinha-se em vantagem.

A formação comandada por Vasco Seabra regressou ao relvado sem alterações. No entanto, logo no primeiro minuto da segunda parte, Diogo Mendes lesionou-se. De imediato, o técnico verde-rubro chamou André Teles. O Marítimo foi o primeiro a ameaçar através de um remate que Paulo Vítor não segurou à primeira, antes de Miguel Silva executar um monumental voo a impedir o empate flaviense. Aos 54 minutos, Xadas recuperou a bola em pressão alta, lançou Beltrame na direita, com o italiano a encontrar, no coração da área, Miguel Sousa. Em posição privilegiada, o médio português atirou para defesa incompleta de Paulo Vítor. Na recarga, os mesmos protagonistas e o mesmo desenlace, desta vez com a bola a parar nas mãos do guardião. Grande oportunidade para dilatar a vantagem. Aos 57 minutos, pediu-se grande penalidade no Caldeirão. Nítida mão na bola após cruzamento de letra por parte de Vidigal, mas Ricardo Baixinho mandou jogar.

Seabra voltou a mexer no onze aos 59 minutos. Três substituições simultâneas. Saíram Beltrame, Miguel Sousa e Xadas, rendidos pelo Capitão Edgar Costa, Lucho e Zarzana. Estreia absoluta para o internacional sub18 espanhol na Liga Portuguesa. Depois da entrada de André Teles, por lesão de Diogo Mendes, o Marítimo encarava a última meia-hora com o miolo e a ala direita refrescados. Edgar Costa posicionou-se à esquerda, Zarzana à direita e Vidigal passava, agora, a estar mais perto de Joel. Entretanto, o técnico flaviense também reajustou o seu onze, aos 63 minutos, com duas substituições.

O Chaves empatou aos 69 minutos. Mau passe de Zainadine, bola interceptada, a defesa do Marítimo descompensada e João Teixeira, de longe, a bater Miguel Silva. Ainda se esticou o guardião verde-rubro, mas o tiro saiu forte e a bola aninhou-se junto ao poste esquerdo do Marítimo. Poucos minutos depois, o Chaves passou para a frente. Contra-golpe rápido após um livre perigoso a favorecer o Marítimo. Paulo Vítor saiu bem dos postes, a bola entrou no flanco direito, do qual saiu cruzamento para o cabeceamento vitorioso de Bachi. Amargura no Caldeirão.

Em desvantagem, Seabra lançou Chucho aos 78 minutos. Saiu Fábio China. Zarzana, pela direita, estimulava o ataque do Marítimo, mas a última linha adversária conseguia manter o esférico longe da zona de perigo. Nesta fase do jogo, a 5 dos 90, os visitantes começaram a revelar debilidades físicas, obrigando à interrupção da partida. Um ritual. João Correia precisou de assistência, entrou a equipa médica e o jogador saiu de campo muito queixoso. Mal saiu das quatro linhas, o jogador do Chaves iniciou “sprint” para regressar ao jogo, mas acabou por ser substituído. O Marítimo insistia em busca do empate, embora sem fazer perigas as redes contrárias. Ricardo Baixinho concedeu 7 minutos de desconto.

Vidigal, após bola divida, caiu com queixas logo no início do tempo de compensação. Nada que impedisse o extremo de continuar em campo para as últimas investidas verde-rubras. O Marítimo esteve muito perto do empate depois de remate à meia-volta de Chucho, mas Paulo Vítor segurou à segunda. O jogo terminou com a derrota do Marítimo.