Andávamos todos desatentos, incluindo a Direção Geral de Saúde e o Coronavírus já andava pela Madeira, pelo menos, desde 2016. Um dos infectados, que não apresentou problemas nos pulmões, gritou aos sete ventos a perda de milhões de neurónios e ninguém fez caso.

Depois das declarações desta quinta-feira, percebe-se que a imunidade não é um processo fácil de conquistar e que a regeneração tarde em chegar.

O ignorar constante das chamadas de atenção, por parte de todas as entidades competentes, origina, pois claro, ações de revolta e raiva que, de resto, começaram muito antes do aparecimento dos sintomas.

Sabe-se, agora, que todo este processo penoso pode, também, abalar a tão propalada confiança nas instituições, patenteada em vários comunicados emitidos recentemente. Enquanto não havia fumo branco, era tudo uma aldrabice fazendo lembrar as célebres histórias da máfia italiana.

Valha-nos que, pela nossa cultura, os acontecimentos negativos sevem para fazer as pazes e reatar amizades que, noutros tempos, estiveram sob ameaça de bomba.

Hoje, com o serviço da subida administrativa que lhe prestaram, tudo caiu no esquecimento.

Existem, no entanto, coisas que nunca mudam, apesar pele de cordeiro vestida recentemente: o ódio ao Marítimo e a forma pouco civilizada como se procura resolver divergências de opinião.

Sem nunca perder o foco dizia: Marítimo ia reunir na Quinta Vigia e o Governo na Meia-Serra.

Resta, em suma, responsabilizar as autoridades sanitárias por não terem agido perante o alerta de sintomas prematuros. Agora temos todos que assistir a devaneios e ações pouco articuladas de alguém que perdeu milhões de neurónios e não os recuperou.

Com a perda de milhões de neurónios e perante este estado tão avançado de desgaste, não vale a pena responder. Tem sempre razão.