Com esta recolha, e com o seu contributo, faremos chegar bens de primeira necessidade a instituições que lidam, directamente, com refugiados ucranianos. Gente que continua a querer acreditar que o Bem é uma necessidade. Porque a paz é uma urgência.

“Cantinho do céu”. Enraizou-se no imaginário colectivo dos madeirenses essa expressão que define a Madeira. Um espaço de redenção que a Beleza da terra justifica, mas a dimensão da nossa Diáspora diz outra coisa: que não há espaço para todos no “cantinho do céu”. As primeiras décadas do século XX assistiram à debandada de muitos milhares de madeirenses. Nunca – ou quase nunca – por mera vontade de ir ver o Mundo. Sempre – ou quase sempre – por imperativos de sobrevivência. Saímos de casa, saímos da ilha, saímos do país. Desbravámos mares para combater males. Os males da precariedade, da escassez. E nunca nos rendemos, nunca erguemos a bandeira branca. Pelo contrário. Persistimos. Quem partiu, persistiu como Madeirense que não vai dormir em casa hoje. Talvez amanhã. Porque amanhã também é dia, desde que persistamos na crença de que amanhã não é só promessa do calendário.

A odisseia é o tempo que demora o regresso. Entretanto, o Mundo acolheu-nos. Acolheu-nos bem, mas nunca foi fácil. Temos comunidades Madeirenses em todos os continentes. Consolidadas, respeitadas, valorizadas. Adaptámo-nos, mas soubemos valorizar a mão que nos deram. Muitos dos nossos emigrantes partiram devido às guerras mundiais. Se bem que a Madeira até tenha sido alvo de um submarino na I Guerra Mundial, não sabemos o que é dormir noite após noite com a mira de um míssil no telhado. Sabemos, sim, o que é a guerra, povo que perdeu tantos filhos da terra no Ultramar. Mas não sabemos o que é a guerra em casa. E que nunca saibamos.

Hoje, do nosso “cantinho do céu” assistimos ao inferno da guerra, à agonia de quem vive o horror ao relento. Porque em qualquer cantinho daqueles céus pode aparecer a devastação, a ruína, a tragédia. A morte. O povo ucraniano foge, procura abrigo, procura quem lhes dê a mão. Através da Fundação Marítimo Centenário, o Club Sport Marítimo, que nasceu de um povo moldado nas agruras do mar alto, do calhau e da montanha agreste, não falta à chamada. Ajude-nos a ajudar. Com esta recolha, e com o seu contributo, faremos chegar bens de primeira necessidade a instituições que lidam, directamente, com refugiados ucranianos. Gente que continua a querer acreditar que o Bem é uma necessidade. Porque a paz é uma urgência.

Os bens poderão ser entregues na Loja Nike, no Estádio do Marítimo, durante os seguintes períodos:

Sábado – Entre as 10h e as 14h

Domingo, dia de jogo – Entre as 10h e as 16h30