A equipa de Seabra merecia chegar ao intervalo em vantagem. Gil Vicente justificou, na segunda parte, um empate que não fez por merecer na primeira.

O Maior das Ilhas subiu ao Minho com novidades no “onze”. Vasco Seabra promoveu a estreia de Miguel Sousa como titular, possibilidade que o técnico já havia enfatizado na conferência de imprensa que antecedeu o duelo frente ao Gil Vicente. Perante as ausências de Beltrame – lesionado -, de Rossi – não viajou devido a indisposição súbita – e do capitão Edgar Costa, a cumprir castigo por acumulação de amarelos, Seabra reconstruiu o meio-campo, com Pelágio a regressar à formação inicial. Diogo Mendes manteve-se entre os 11 eleitos, ao contrário de Xadas, suplente em Barcelos. Na frente, o técnico verde-rubro – que admitiu a hipótese de jogar com dois pontas-de-lança – optou por Joel.

Casa cheia no Estádio Cidade de Barcelos para a recepção ao Marítimo. Ambiente de jogo grande. E grandes, desde o primeiro minuto, foram os cerca de 120 Maritimistas que rumaram a Barcelos. Na transmissão televisiva, e não obstante os mais de 7000 gilistas na assistência, só se ouviam os Maritimistas em jeito de confissão: “A minha mãe já dizia, a minha mãe já dizia: Onde é que tu vais, onde é que tu vais? Eu vou mas é pra Barcelos, eu vou mas é pra Barcelos ver o Marítimo ganhar.” De realçar que a melhor casa da época, em Barcelos, registou-se neste embate frente ao Maior das Ilhas e um dos maiores de Portugal.

120 bravos Maritimistas, incansáveis no apoio ao Maior das Ilhas

O Marítimo foi a primeira equipa a criar perigo. Na sequência de um canto, a bola pingou na pequena-área, mas faltou o desvio decisivo. Boa entrada do Marítimo, perante um Gil Vicente mais expectante. O anfitrião, em busca de um inédito 4º lugar, estabilizou e, a partir dos 10 minutos, manifestou a intenção de ter mais bola. Mais investidas da formação orientada por Ricardo Soares, a render aos 14 minutos um amarelo a Matheus Costa, central que falha, assim, o próximo jogo. Aos 17 minutos, primeira grande ameaça dos gilistas, com Samuel Lino a atirar forte, mas por cima da baliza à guarda de Paulo Victor. Pouco depois, um belo lance individual de Pedrinho rasgou a defesa maritimista e isolou Navarro. Para nosso alívio, o espanhol falhou a recepção e Paulo Victor recolheu. Insistia muito o Gil Vicente pelo seu flanco direito, sempre com Pedrinho a comandar as operações. O Marítimo mantinha a consistência defensiva e procurava brechas para explorar saídas rápidas. Foi o que sucedeu bem perto da meia-hora de jogo, quando Pelágio “picou” o esférico sobre a defensiva gilista e isolou Joel, internacional camaronês que esticou as redes do Gil Vicente. Cruel, porém, foi o fora-de-jogo assinalado – e bem assinalado. Ficou o aviso. Pouco depois, grande incursão de Winck pela direita, também ele a “picar” para Joel, mas o avançado, em rotação, falhou o remate.

Muito sereno e equilibrado o Marítimo, a pressionar os anfitriões na primeira zona de construção e cada vez mais acutilante nas aproximações ao último reduto gilista. Os avisos do marítimo não foram vãos. Aos 38 minutos, Pelágio encontra “Magik” Guitane na direita. Depois, aconteceu magia. O francês, com aquela condução de bola primorosa, invadiu a área gilista e, com um cruzamento só ao alcance de craques, ofereceu o golo a Joel. De cabeça, um golpe impiedoso do camaronês. Alegria, muita alegria, entre as hostes maritimistas. Era o regresso aos golos do “cruel”. O Leão do Almirante Reis a rugir na casa do Galo.

Rafik conduz em velocidade furiosa. (Foto: Liga Portugal)

Nos descontos da primeira-parte, Matheus Costa sofreu uma falta dura de Samuel Lino. Antes, o ataque dos minhotos parecia estar em fora-de-jogo, mas a equipa de arbitragem deixou seguir. E o VAR, aparentemente, nada disse. Num lance muito semelhante, Joel foi expulso frente ao B Sad. Depois, e enquanto Matheus Costa tentava recuperar, o VAR chamou o árbitro devido a uma possível mão de Winck na área. Vistas as imagens, parece evidente que a bola raspa na cabeça de Samuel Lino e acaba por embater no braço de Winck no momento da impulsão. Uma “mão” casual que até beneficiou o avançado gilista, em boa posição de remate. Assim não entendeu Cláudio Pereira, o juiz da partida. Grande penalidade para o Gil Vicente. Samuel Lino, que já não deveria estar em campo, bateu rasteiro para o lado direito de Paulo Victor. O guardião defendeu, mas Samuel Lino acabou por empatar o jogo na recarga. Castigo injusto para o Marítimo. A equipa de Seabra merecia ir para o intervalo em vantagem.

As equipas regressaram ao relvado sem alterações. Manteve-se a intensidade nos duelos, matiz típico dos jogos grandes. Hoje, em Barcelos, duas belas equipas em busca da vitória. Reentrou melhor o Gil Vicente, destacando-se a ala direita, com Fujimoto e Léautey a criarem problemas. Aos 55 minutos, Paulo Victor evitou por duas vezes o golo gilista. Outra notável exibição de um guarda-redes que oferece muita confiança à equipa. No banco, Seabra via um Gil mais dinâmico e mexeu de imediato. Chamou Xadas e Henrique Rafael. Miguel Sousa e Vidigal foram rendidos, dois jogadores que trabalharam muito. Henrique Rafael, na sua primeira intervenção, ultrapassou adversários e assistiu Joel. Na rotação, o remate do camaronês foi desviado para canto. Momento importante do jogo. O Marítimo mostrava-se disponível para ferir o Galo, depois de largos minutos de muita pressão minhota. No entanto, os anfitriões continuaram por cima, mas sem ocasiões flagrantes de golo.

Seabra voltou a mexer na equipa quando faltavam 15 minutos para os 90. Troca directa, com Alipour a render Joel, o autor do primeiro golo verde-rubro. Aos 85, Seabra esgotou as substituições, lançando Clésio e André Teles para os lugares de Rafik e de Diogo Mendes. Apesar das alterações, continuou a ser o Gil Vicente a ameaçar. Samuel Lino, no primeiro dos 7 minutos de compensação, driblou oponentes e rematou forte para grande defesa de Paulo Victor. Nada mais a registar numa partida que terminou empatada a um golo. Resultado que o Gil Vicente justificou pelo que fez na segunda-parte, mas fica a sensação de tremenda injustiça na grande penalidade que impediu o Marítimo de chegar ao intervalo em vantagem. Autor de nova grande exibição, Zainadine foi eleito “Homem do Jogo”.

Bela promoção do Futebol em Barcelos, mas ninguém saiu feliz. Os donos da casa procuravam um inédito 4º lugar e o Marítimo, como disse Seabra há algumas semanas, “já não se satisfaz com um empate”. Obrigado, peregrinos do Marítimo que se deslocaram a Barcelos. Como sempre, admiráveis.

Segue-se o Tondela, no Caldeirão. Vamos a eles, rapazes.

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