Mais um jogo sob o signo da chuva no Caldeirão, contingência que terá afastado muitos Maritimistas do nosso templo. Seabra introduziu alterações no onze que trouxe um ponto de Barcelos. O madeirense Fábio China rendeu Vítor Costa, lateral que apresentou algumas queixas durante a semana. Com Pelágio castigado, Rossi e Diogo Mendes formaram dupla. A ausência de Matheus Costa, também por castigo, devolveu Léo Andrade aos titulares, reeditando dupla com Zainadine, moçambicano que ostentou a braçadeira de Capitão. Na frente, Joel Tagueu, apoiado por Rafik e Miguel Sousa, jogador que se estreou a titular em Barcelos e manteve a primazia no “miolo”.

O primeiro sinal de perigo surgiu logo aos 2 minutos. Salvador Agra isolou-se pelo lado direito, mas os centrais verde-rubros chegaram a tempo de evitar dissabores para a baliza de Paulo Victor. Dificuldades iniciais do Marítimo perante um Tondela a pressionar alto. A primeira verdadeira incursão ofensiva dos verde-rubros ocorreu aos 6 minutos, com Miguel Sousa a ser travado em falta. O livre, cobrado pelo jogador que sofreu a falta, não levou perigo à baliza dos beirões. Na resposta, bom trabalho de Bebeto, ex-jogador do Maior das Ilhas, a ultrapassar Vidigal e a cruzar com muito perigo. A bola atravessou a pequena-área do Marítimo, surgindo corte providencial para canto. Do canto, novo susto para Paulo Victor, mas o cabeceamento saiu ligeiramente por cima do travessão. Mas não passou o susto. O VAR alertou o árbitro Manuel Mota para possível mão na bola de Léo Andrade. Após visualização das imagens, grande penalidade para o Tondela. Na conversão, Salvador Agra não perdoou. Muita contestação no Caldeirão. Fez a festa o Tondela e reagiram os Fanatcis, Esquadrão Maritimista e Templários. Inexcedíveis no apoio, como sempre. Faça chuva ou faça sol, o amor pelo Marítimo é imune a tudo. Até às intempéries. Dia especial para os Fanatics, grupo de apoio que celebra 9 anos, efeméride que João Canada, o nosso speaker, destacou.

O Marítimo retaliou e as hostes insulares reclamaram grande penalidade sobre Miguel Sousa. Manuel Mota deixou seguir. Logo depois, Rafik parece travado em falta, após drible, mas Manuel Mota mandou seguir. O mesmo aconteceu após recuperação de bola. Mais um jogador do Almirante Reis no chão. Manuel Mota mandou seguir. O Caldeirão fervia de exasperação. Manuel Mota fez-se notar de novo, mas desta vez a favor do Marítimo. Na saída para o contra-ataque, Miguel Sousa esgueirou-se e foi agarrado. Amarelo para o jogador beirão.

Fábio China esteve muito perto de assinar o seu primeiro golo pela equipa de honra do Marítimo. Aos 18 minutos, Rafik sentou o oponente, cruzou para o segundo poste onde apareceu China a chutar forte para grande defesa de Trigueira. O Tondela, na resposta, atirou ao poste por Agra. Jogo de vertigens no Caldeirão.

O flanco esquerdo do Marítimo, nos primeiros 25 minutos, carburava mais do que o lado oposto. Combinação entre Miguel Sousa, Vidigal e Fábio China, com o lateral madeirense a cruzar rasteiro. Trigueira viu a bola passar sem que surgisse o desvio da felicidade. Muito activo Fábio China, com o Tondela a aproveitar as subidas do madeirense para intimidar no contra-ataque. De novo pela esquerda, Vidigal invadiu a área, mas o cruzamento foi rechaçado pelo defesa. O Marítimo ameaçava o empate. Perto da meia-hora, Rafik serpentou entre adversários e foi literalmente abalroado por dois. Manuel Mota mandou seguir. Aos 31, outro cruzamento venenoso de China. O defesa contrário, ao segundo poste, antecipou-se a Winck e por pouco, ao desviar para canto, não traiu Trigueira. Canto para o Marítimo. E golo do Marítimo. Canto cobrado por Vidigal e Zainadine, nas alturas, a empatar a partida. Merecido golo. Nesta fase da partida, a equipa de Seabra asfixiava o Tondela.

O Marítimo continuava a pressionar. Rafik, em nova jogada individual, foi rasteirado. Manuel Mota, finalmente, apitou falta. Aos 41, Vidigal conduziu a bola desde o meio campo defensivo e encontrou Joel. Já na área, o camaronês hesitou no remate, perdeu ângulo, mas ainda conquistou um canto. Na conversão, a defesa beirã anulou os intentos insulares, em busca da vantagem antes do intervalo.

Pouco depois, Vidigal ultrapassou dois defesas pelo flanco esquerdo e foi rasteirado. No relvado, com queixas, Manuel Mota mandou seguir. Reclamou o Caldeirão, reclamaram os jogadores do Marítimo. Amarelo para Joel. O intervalo chegou com um empate. Entrada periclitante do Marítimo, a permitir a vantagem do Tondela. Resposta que chegou a ser avassaladora, premiada com o golo de Zainadine. Manuel Mota e a sua equipa de arbitragem regressaram às cabines sob um coro de assobios.

Os endiabrados campeões das ilhas voltaram para a segunda-parte sem alterações, mas com a mesmo registo. Pressão, boa circulação de bola, não obstante a chuva incessante que tornava, como se diz na gíria, “o relvado mais rápido”. Logo nos minutos iniciais da segunda parte, a equipa de Vasco Seabra conquistou dois livres, um em cada flanco. Sem perigo, porém, para as redes de Trigueira.

Manuel Mota também mantinha o mesmo registo. Miguel Sousa foi travado em falta, quando saía para o contra-ataque. O juiz assinalou falta, mas ficou por mostrar o amarelo. Pouco depois, Diogo Mendes foi varrido junto à linha de fundo, mas Manuel Mota mandou seguir. Pouco depois dos 60 minutos, o mesmo Diogo Mendes sofreu o que parece ter sido falta. Manuel Mota mandou seguir, mas Diogo Mendes não pôde. Entrou a maca para retirar o médio maritimista. Com as mãos na cara e visíveis dores, o atleta foi ovacionado pelas hostes verde-rubras. Forçado a mexer na equipa, o madeirense André Teles rendeu Diogo Mendes. Henrique Rafael e Xadas também foram chamados a jogo, substituindo Rafik e Vidigal.

Logo na primeira intervenção, Henrique galvanizou o Caldeirão. Driblou Bebeto, arrancou para a área e foi travado em falta. Superioridade absoluta do Marítimo durante os primeiros 25 minutos da segunda parte. Vasco Seabra voltou a mexer na equipa à passagem dos 73 minutos. Entrou Edgar Costa sob o cântico “é o xavelha, o nosso capitão é o xavelha”. Saiu Miguel Sousa.

Aos 77 minutos, após canto a beneficiar o Tondela, a defesa maritimista rechaçou o esférico e Xadas saiu rápido para o contra-golpe. Sozinho, encontrou Rossi e o argentino abriu na direita para Edgar Costa. O extremo madeirense cruzou e o golo esteve à vista, mas não apareceu o desvio redentor que o Marítimo merecia. Logo depois, Alipor rendeu Joel. Restavam 10 minutos mais a compensação, necessariamente longa devido às circunstâncias que condicionaram o normal desenrolar dos segundos 45 minutos.

Até então, o Tondela só havia ameaçado após um desentendimento entre Zainadine e Paulo Victor. Aos 81, os beirões conquistaram novo canto. Sem perigo, porém. Continuava o Marítimo a procurar o golo que já tardava. Alipour esteve perto. Após cruzamento milimétrico de Edgar, o iraniano chegou atrasado. Na resposta, marcou o Tondela. Cruzamento do lado direito, Paulo Victor e os seus centrais do Marítimo hesitaram, permitindo a antecipação de Rafael Barbosa. Gelo no Caldeirão.

O Marítimo repicou. Henrique conquistou um livre. Edgar Costa cobrou e os jogadores maritimistas reclamaram grande penalidade. Desta vez, Manuel Mota não recorreu ao VAR. retomado o jogo, Henrique sofreu nova falta junto à bandeirola de canto. O livre não ameaçou Trigueira. Tempo de compensação: 11 minutos. Havia tempo para a reviravolta épica. O Caldeirão acreditava, mas o Tondela matou o jogo. Com o Marítimo em busca do empate, novo contra-ataque pela direita, concluído por Dantas.

Derrota do Marítimo por 3-1. Muita infelicidade para os verde-rubros. Mérito para o Tondela, equipa que aproveitou erros defensivos para sair da Madeira com três pontos.