Uma vez que a Marítimo da Madeira Futebol, SAD, aguardou, desde segunda-feira, dia 02.11.2020, a publicação do Direito de Resposta enviado (e reenviado) para o Diário de Notícias da Madeira, devidamente assinado pelo visado, abaixo expomos sobre as “inauditas” questões. 

O DN da Madeira e o CD Nacional publicaram, durante a última segunda-feira, escritos nos seus sítios oficiais na internet dedicados ao Marítimo e que têm, como pano de fundo, um artigo, com direito a chamada de capa, publicado nesse mesmo dia.

O matutino regional teve acesso ao processo e, pela segunda vez num curto espaço de tempo, cozinha matéria a gosto para visar o único projeto com crescimento verdadeiramente sustentado e credível de futebol profissional na Madeira.

Curiosamente, ou talvez não, os dois textos são tão parecidos, na abordagem, título e narrativa apresentada ao leitor, que parecem ter sido escritos pelo mesmo autor.

Eventualmente até podem ter sido, já que, estranhamente, quem assina a “notícia” não consta de nenhuma base de dados de jornalistas da Comissão da Carteira Profissional, pelo menos com o nome que surge nas páginas do DN. Poderá, ainda assim, usar um pseudónimo, coisa perfeitamente normal nestas coisas da ficção.

Qualquer um dos jornalistas que lá constam sabe, perfeitamente, a diferença entre o presente o indicativo, o pretérito perfeito e o condicional. Miguel Fernandes Luís, manifestamente, não sabe, caso contrário não teria chamado à capa “Marítimo paga milhões em dinheiro vivo”.

Ao contrário da “notícia”, todos os pagamentos (os tais milhões) efetuados por esta sociedade desportiva estão registados e devidamente identificados, não por “baixo da mesa” nem forjados, como consta, de resto, no processo e nos relatórios e contas auditados por entidades externas independentes. O Marítimo não paga, não pagou, nem vai pagar a ninguém em dinheiro vivo. Em momento algum foi acusado de branqueamento de capitais.

O que está em discussão é o entendimento diferente sobre a forma de tributação. Apesar da nossa discordância, os valores já estão liquidados à Administração Tributária, no âmbito do PERES, os tais 2,5M€, tal como fez o Nacional (RERT). Um jornalista devidamente habilitado teria facilmente percebido onde foram parar os 2,5M€.

Uma diferença abismal que crava, desde logo, a categoria do(s) responsável (eis) por uma peça cheia de imprecisões que deviam fazer corar qualquer profissional de comunicação social.

A linguagem brejeira utilizada, quando, por exemplo, se recorre à expressão pagamentos por baixo da mesa, é, uma vez mais, reveladora de pequenez e procura orientar a opinião pública para uma realidade alternativa que só existe na cabeça do redator.

É pena que a luta pela verdade e pela isenção jornalística, propalada aos sete ventos durante o dia de segunda-feira, não sirva, por exemplo, para cumprir a obrigatoriedade de publicar, com o mesmo destaque, o Direito de Resposta do Marítimo, devidamente assinado pelo visado, que chegou à redação ao final da tarde desse mesmo dia.

Miguel Fernandes Luís, que se saiba, nunca foi visto em Santo António, a acompanhar o quotidiano do Marítimo, por isso entende-se que não perceba muito do fenómeno. Contrariamente ao seu diretor, esse sim consta da base das listagens da CCPJ, que é um apaixonado pela bola, como ficou patente em plena Rua Fernão de Ornelas quando, numa ação de formação e promoção do Marítimo, do outro lado da rua gritou em alto em bom som «SLB e CDN».

A seleção de assuntos abordados é, também, curiosa e reveladora. Relativamente aos alegados beneficiários, tanto no processo do Marítimo como do Nacional, podem ser identificados todos os beneficiários e respetivos montantes. O “jornalista” viu e optou por omitir esta informação. Ou é mesmo falta de habilitação?

Nada nos move, verdadeiramente, contra o Diário de Notícias da Madeira ou, mesmo, contra o Nacional. O que se exige, perante todos, é igualdade de tratamento e direito de resposta, algo com o qual, infelizmente, os arautos da verdade lidam muito mal. Estes facilmente desvalorizam e transformam o sucesso individual / coletivo numa situação pecaminosa.

Se estivéssemos, de facto, com uma postura maliciosa, podíamos, por exemplo, invocar as falhas na transparência na adjudicação de obras à proposta mais cara para um volume de construção menor, de uma publicidade provavelmente mais cara do Mundo, tudo no âmbito dos trabalhos de construção do novo complexo desportivo do Nacional.

As mais-valias do Marítimo estão à vista de todos, com a construção do Estádio graças aos contratos-programa sucessivamente adiados e não-cumpridos ao longo do tempo, bem como investimento em várias infraestruturas por toda a região. Ao contrário do que acontece com o rival, em que tudo é dado e facilitado, temos orgulho do que conseguimos pela persistência contra ventos e marés.

Na visita à casa do presidente encontraram-no pelado (nada “oculto”) e nada levaram, além do telemóvel que rapidamente foi devolvido. Ao invés, noutra visita ao domicílio de outra presidência de outro clube, antes do sol nascer lá estava um “justiceiro”, para surpresa dos visitantes, impossibilitando a sua entrada. Só passado algum tempo, o “justiceiro” decide abrir a porta para a entrada dos visitantes, saindo de lá “cheio frio” em pleno verão, vestindo um sobretudo (coisa rara na RAM), bem “recheado”. O que lá fazia o “justiceiro”? O que estaria a transportar aquele sobretudo?

O Marítimo anda há 110 anos a dar o exemplo de crescimento.

Por muito que não gostem, vamos continuar a vencer e a crescer, utilizando também recursos e meios próprios, pugnando sempre pelo respeito e dando o exemplo na defesa da nossa bandeira e da Região Autónoma da Madeira. Abrimos o caminho da autonomia que outros aproveitaram sem que o fizessem por merecer.