Notável exibição do iraniano, numa partida em que o Marítimo demonstrou astúcia de Leão para se proteger e retaliar sem clemência

Vasco Seabra promoveu duas alterações no onze que iniciou a partida frente ao Estoril. Zainadine e Diogo Mendes cumpriram castigo e foram rendidos por Léo Andrade e Ivan Rossi. O técnico pacense manteve a estrutura que tem vindo a ser habitual. Com Edgar Costa lesionado e Zainadine castigado, Joel Tagueu assumiu a honra de capitanear o Maior das Ilhas no Estádio Municipal de Arouca.

O Marítimo foi a equipa que fez a bola rolar. Das bancadas, ouviam-se as vozes dos 4 bravos Maritimistas que marcaram presença em Arouca. Bom prenúncio: aos 6 minutos, um contra-ataque pelo flanco direito, após recuperação de bola por Winck, leva o esférico até Beltrame que cruza rasteiro para o primeiro poste. Ali, na zona do ponta-de-lança, apareceu Alipour para o primeiro golo do Marítimo. Entrada de Leão e o 5º golo do avançado na Liga Bwin. Pouco depois, o iraniano poderia ter bisado em novo lance que apanhou o Arouca descompensado. À saída do guardião, Alipour não encontrou o alvo desejado.

Os quatro bravos em Arouca

Alipour continuava endiabrado. Após um atraso do defesa adversário, o iraniano acreditou e dividiu a bola com o guardião Vítor Braga. Houve contacto e o árbitro Miguel Nogueira assinalou, de imediato, falta do avançado maritimista. As imagens, porém, parecem claras: Alipour tocou primeiro na bola e foi pisado pelo guarda-redes. Os maritimistas – principalmente os que viam o jogo pela Sport TV – deverão ter esperado uma intervenção do VAR que levasse a bola à zona do castigo máximo. Enganaram-se. O juiz da partida assinalou falta ofensiva.

O Marítimo não se deixou abalar. Sempre o número 9 como uma flecha, desta vez após passe de Ivan Rossi, Alipour atirou forte e cruzado para defesa muito difícil de Vítor Braga. Os endiabrados campeões das ilhas continuavam a encostar o Arouca às cordas. À passagem dos 23 minutos, num canto, Matheus Costa foi atingindo na cara por Arsénio. O VAR, desta vez, interveio e Miguel Nogueira, após visualizar as imagens, decretou grande penalidade. Na cobrança, Joel não foi “cruel” à primeira, permitindo a defesa de Vítor Braga. Na recarga, o internacional camaronês fuzilou as redes do Arouca. 2-0 para o Maior das Ilhas.

A perder por duas bolas, o Arouca subiu mais as linhas e permitiu espaços que o Marítimo tentou aproveitar. Aos 37 minutos, o trabalho defensivo dos verde-rubros, após canto, surtiu efeito e o conjunto de Seabra saiu para o contra-golpe em superioridade numérica. Infelizmente, o passe decisivo de Henrique Rafael não apareceu e o perigo foi neutralizado. O Arouca tinha mais bola, mas sem atormentar Paulo Victor. A excepção aconteceu aos 42 minutos, mas o brasileiro manteve as nossas redes intactas. Já bem perto do intervalo, confusão junto ao banco do Marítimo. Miguel Nogueira não hesitou em expulsar um elemento do Arouca que, mesmo após a expulsão, continuo a mostrar-se agressivo para com o banco insular. Depois do que se viu há pouco tempo num clássico nacional, confirma-se que comportamentos destes não podem tornar-se clássicos no desporto. Enfim, chegou o tempo de descanso com a vantagem do Marítimo, fruto dos golos marcados por Alipour e Joel.

O Maior das Ilhas regressou para a segunda-parte sem alterações. Entrada pressionante do anfitrião, com um livre muito perigoso junto à linha da área. A barreira muito compacta, orientada por Paulo Victor, resultou e o espectro do perigo dissipou-se. Aos 55 minutos, Henrique, que já tinha um amarelo, escorrega e parece atingir sem intenção o oponente. Desconsolado, Henrique foi expulso. O Marítimo ficava reduzido a 10 elementos, numa altura em que o Arouca pressionava. Na sequência do livre, Paulo Victor realizou uma defesa impressionante, desviando para canto. Uma “palmada” notável que preservou a nossa vantagem.

O Arouca continuava a insistir e, aos 61, quase reduzia. Um lance algo feliz de Quaresma, que beneficia de ressaltos, permite o cruzamento. Com Paulo Victor batido, foi Victor Costa quem negou o golo aos homens de amarelo. Admirável entreajuda dos insulares.

Vasco Seabra mexeu na equipa aos 73 minutos. Saíram Beltrame e Rafik, dois jogadores que trabalharam muito, Para os seus lugares, Pelágio e Xadas. O Marítimo mantinha um bloco baixo, sem descurar o contra-ataque. Aos 75 minutos, a insistência do Arouca esteve perto de ser premiiada. O remate, para nossa felicidade, foi rechaçado pelo poste esquerdo. Os caseiros acreditavam, mas os 10 leões das ilhas demonstravam muita solidariedade, raça e crença.

Senhoras e senhores, André Vidigal apresenta-se ao baile. 78 minutos, Vidigal faz magia pelo lado esquerdo, ultrapassa 2 contrários e cruza na perfeição. Quem surge ali? Alipour, claro. De cabeça, o iraniano bisou e sentenciou a partida. Que exibição de Alipour. Que exibição dos Campeões das Ilhas.

Até ao final, o Arouca procurou o tento de honra, mas foi o Marítimo quem esteve mais perto do quarto tento. Matheus Costa, o central salteador de fronteiras, apareceu isolado perante Vítor Braga. De costa a costa, Matheus merecia a glória, mas o guardião arouquense impediu.

Três golos sem resposta. Excelente vitória em Arouca para culminar um fim-de-semana de muitas conquistas para os verde-rubros. Bravo, rapazes.

Saudai o Marítimo.

Fotografia de capa: Cortesia Liga Portugal Bwin